Autismo: quais os sinais de alerta?

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Uma criança que não olha nos olhos, não gosta de ser abraçada ou beijada, prefere brincar sozinha e escolhe sempre as mesmas atividades, pode ser autista.

O autismo – ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) – é um distúrbio do desenvolvimento que causa prejuízo nas áreas de comunicação e interação social, além de apresentar comportamentos repetitivos e restrição nos interesses e atividades da criança.

É importante entender que a condição pode variar desde indivíduos de alto funcionamento, como os portadores da síndrome de Asperger, até casos em que há comprometimento da linguagem e deficiência intelectual.

Os quadros leves podem ter total independência e uma vida normal, enquanto os casos mais graves serão completamente dependentes para todas as atividades de vida diária.

Não existe um só tipo de autismo. Ele se manifesta de maneira única em cada pessoa.

O diagnóstico de uma pessoa com autismo deve ser o mais precoce possível. Iniciar o tratamento quando ela é bem jovem, de preferência antes de completar três anos, tem maiores chances de fazer com que a criança alcance todo o seu potencial.

Desenvolvimento infantil

 Mesmo em bebês e crianças pequenas, é possível detectar sinais que indicam que alguma coisa não vai bem. O desenvolvimento infantil tem marcos importantes, característicos de cada idade, e a criança deve passar por eles de forma ordenada.

Uma criança com 6 meses sustenta bem a cabeça, segura objetos, começa a se sentar com apoio e, quando deitada, rola nas duas direções.

A partir dos 12 meses, o bebê provavelmente já está tentando ou consegue andar. Ele começa a aprender algumas palavras e identifica partes do corpo.

Entre 2 e 3 anos, a criança já tira os sapatos, chuta a bola e dança. Curiosa, mexe em tudo que encontra.

Dos 3 aos 4 anos, ela já segura o lápis e consegue desenhar. Já é mais sociável e gosta de brincar com outras crianças. Entende as rotinas e os sentimentos dos outros.

Entre 4 e 5 anos, ela usa a tesoura, usa bem os talheres e tem um vocabulário bem rico.

É claro que cada criança tem o seu tempo, e ocorrem variações normais nas etapas do desenvolvimento de cada uma. Porém, se algum atraso ou problema for identificado, o pediatra deve ser avisado imediatamente.

 

Sinais de autismo: fique atento! 

Se a criança apresentar algum dos sinais listados abaixo, procure ajuda!

Dificuldade nas interações sociais: 

  • Tem dificuldade em olhar nos olhos do outro, mesmo quando alguém fala com ela;
  • tem comportamentos inadequados, rindo ou gargalhando fora de hora, durante velórios, cerimônias de casamento ou batizados, por exemplo;
  • sente desconforto ao ser abraçada ou beijada;
  • tem dificuldade em se relacionar com outras crianças;
  • prefere brincar sozinha e escolhe sempre as mesmas atividades e brinquedos.

 

Dificuldade de comunicação: 

  • Fica calada por horas, e não responde mesmo quando fazem perguntas a ela;
  • a criança refere a si mesma usando a palavra”você”;
  • repete a pergunta que lhe foi feita várias vezes seguidas, sem se importar em estar chateando os outros;
  • mantém sempre a mesma expressão no rosto e não entende gestos e expressões faciais dos outros;
  • não atende quando é chamada pelo nome, como se não estivesse ouvindo nada;
  • olha com o canto do olho quando se sente desconfortável;
  • quando fala, a comunicação é monótona e em tom pedante.

 

Alterações no comportamento: 

  • A criança não tem medo de situações perigosas, como atravessar a rua sem olhar para os carros ou chegar muito perto dos animais possivelmente agressivos;
  • tem brincadeiras estranhas, dando funções diferentes aos brinquedos que possui;
  • brinca somente com parte de um brinquedo, como a roda do carrinho, por exemplo;
  • parece não sentir dor e até mesmo gostar de se machucar, ou de machucar os outros de propósito;
  • leva o braço de outra pessoa para pegar o objeto que ela deseja;
  • olha sempre na mesma direção como se estivesse parada no tempo;
  • fica se balançando para frente e para trás por vários minutos ou horas, ou torce as mãos e dedos constantemente;
  • tem dificuldade em se adaptar a uma nova rotina, ficando agitada e podendo se auto agredir, ou ainda agredir os outros;
  • fica passando a mão em objetos, ou tem fixação por água;
  • fica extremamente agitada quando está em público, ou em ambientes barulhentos.

O autismo tem cura? 

 Infelizmente, o autismo não tem cura. Porém, o tratamento, especialmente iniciado precocemente, pode ajudar a criança a se comunicar melhor, ser mais sociável, controlar os comportamentos repetitivos e inadequados, melhorar o aprendizado e a qualidade de vida.

Tratamento multidisciplinar da criança autista 

O planejamento do tratamento depende das necessidades de cada paciente e geralmente envolve vários profissionais: médico, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e psicopedagogo.

O apoio da família e da escola na manutenção diária das recomendações profissionais contribui muito para a melhora das capacidades da criança.

 

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