Autismo: como é feito o diagnóstico?

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O Transtorno do espectro Autista (TEA) faz parte de um grupo de condições que afetam o desenvolvimento da criança, atualmente englobado nos Transtornos do desenvolvimento. Como as manifestações dentro desse espectro são muito variadas, o diagnóstico pode ser desafiador.

Pacientes com TEA podem ter quadros leves, com altas habilidades (por exemplo, os autistas de alto funcionamento, que antes eram denominados Síndrome de Asperger), ou até um comprometimento grave da linguagem e da capacidade intelectual.

Nos pacientes com TEA, o diagnóstico precoce é essencial! Iniciar o tratamento antes dos três anos aumenta as chances da criança atingir o máximo desenvolvimento de suas habilidades.

Sinais de alerta 

Os pais são as pessoas que passam mais tempo com a criança e têm maior chance de notar que algo não vai bem. Existem alguns sinais de alerta, aos quais todos devem ficar atentos:

  • a criança tem dificuldade na interação social: não olha nos olhos, não gosta de contato físico e prefere brincar sozinha;
  • a criança tem comportamentos inadequados em algumas situações;
  • repete sempre as mesmas brincadeiras;
  • a criança tem dificuldade para se comunicar verbalmente;
  • apresenta comportamentos estranhos como: medo excessivo, agitação com mudanças na rotina, ficar parada com o olhar fixo, balançar-se para a frente e para trás ou se fixar em objetos.

Para conhecer mais detalhes sobre os sinais de alerta para autismo leia o texto:

AUTISMO: O QUE É, SINTOMAS E TRATAMENTO

Avaliação do desenvolvimento pelo pediatra

A identificação precoce de problemas no desenvolvimento da criança é primordial para o bem estar das famílias e uma responsabilidade de todos os pediatras e profissionais que trabalham com crianças.

O pediatra, durante as consultas periódicas, pode perceber atrasos no desenvolvimento normal da criança. Caso isso ocorra, ela será encaminhada para avaliação com o neuropediatra.

Testes diagnósticos no autismo 

O autismo pode ser detectado muito cedo, até antes dos 18 meses de idade. Aos dois anos, a maioria dos casos pode ser corretamente diagnosticada por um especialista.

Quando uma criança é encaminhada para avaliação com o neuropediatra, testes específicos serão utilizados para avaliar o desenvolvimento cognitivo, linguagem e habilidades.

As principais ferramentas utilizadas são:

  • M-CHAT R/F (Modified Checklist for Autism in toddlers): utilizado para crianças de 16 a 30 meses de idade, esse teste consiste em um questionário que identifica comportamentos típicos do autismo.
  • STAT (Screening Tool for Autism in Toddlers and Young Children): utilizado entre os 24 e 36 meses, esse questionário tem 12 perguntas que avaliam comportamento social e comunicação.
  • ADOS-2 (Autism Diagnostic Observation Schedule ): utilizado a partir de 12 meses até a idade adulta, esse protocolo consiste em uma série de tarefas que demandam uma interação entre a criança e o examinador. A análise quantitativa do resultado determina ou não o diagnóstico de autismo.
  • CSBS (Communication and Symbolic Behavior Scales): utilizado em crianças de 6 a 24 meses para avaliar a capacidade de comunicação.
  • ADI-R (Autism Diagnostic Interview): ferramenta complementar no diagnóstico, utilizada em conjunto com outros testes. O questionário, nesse caso, é respondido pelos pais e/ou cuidadores e avalia o desenvolvimento da criança.

Como interpretar os testes no autismo? 

É importante destacar que as ferramentas fornecem pistas para o diagnóstico, mas não são definitivas por si só. É muito importante a participação de um neuropediatra experiente na avaliação dos resultados e na definição do diagnóstico do transtorno do espectro autista.

Autismo, TDAH e outras condições se confundem nas crianças e, em alguns casos, o diagnóstico definitivo só pode ser feito após alguns meses de acompanhamento e tratamento.

Texto: Luciana Rocha | Neurologista pediátrica | CRM-MG:45032

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